Renda Fixa & Investimentos

Tesouro Direto vs Poupança em 2026: Rentabilidade, Taxas e Imposto de Renda

Com a taxa Selic em patamar elevado no cenário de 2026, entenda a diferença de rentabilidade real entre a caderneta de poupança e os títulos do Tesouro Direto descontando o Imposto de Renda.

Com a taxa Selic em 14% ao ano — nível definido pelo Copom na reunião de 5 de agosto de 2026, após uma sequência de cortes que também reduziu a taxa em reuniões anteriores do ano —, a distância entre o rendimento da poupança e o do Tesouro Direto voltou a ficar bem visível. Entender exatamente como cada um é calculado, e como o Imposto de Renda entra nessa conta, é o que permite comparar as duas opções de forma justa, em vez de escolher só pela familiaridade.

Como a poupança rende: uma regra com duas fórmulas

A poupança não tem uma taxa fixa — sua rentabilidade segue uma regra que muda conforme o patamar da Selic:

Com a Selic a 14% em agosto de 2026, estamos no primeiro cenário: a poupança rende os tradicionais 0,5% ao mês mais a TR, que nos últimos anos tem oscilado próxima de zero. Em termos anuais aproximados, isso equivale a algo em torno de 6,2% a 6,4% ao ano, dependendo da TR do período — bem abaixo dos 14% da Selic.

A grande vantagem da poupança é sua simplicidade: rendimento isento de Imposto de Renda para pessoa física, sem tabela regressiva para calcular, sem necessidade de declarar ganho de capital separadamente.

Como o Tesouro Selic e CDBs são tributados

O Tesouro Selic — título público pós-fixado que acompanha de perto a variação da taxa básica de juros — e a maioria dos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) seguem uma lógica diferente: rendem próximo de 100% da Selic ou do CDI (taxa de referência do mercado interbancário, historicamente muito próxima da Selic), mas sofrem incidência de Imposto de Renda sobre o rendimento, numa tabela regressiva por tempo de aplicação:

O imposto incide apenas sobre o rendimento, nunca sobre o capital aplicado, e é descontado automaticamente no resgate — não é preciso calcular e recolher separadamente, como acontece com ações ou criptoativos.

Comparando os números com a Selic atual

Com a Selic a 14% ao ano, mesmo descontando a maior alíquota possível de Imposto de Renda (22,5%, para resgates em menos de 180 dias), o rendimento líquido do Tesouro Selic ainda supera com folga o rendimento da poupança no mesmo período. A vantagem do Tesouro Selic cresce ainda mais em aplicações de prazo mais longo, quando a alíquota de IR cai para 15%.

Essa distância tende a diminuir apenas em cenários de Selic muito baixa — historicamente, abaixo de 8,5% ao ano —, quando a fórmula da poupança passa a acompanhar 70% da Selic, reduzindo a vantagem relativa dos títulos públicos e CDBs sobre a caderneta.

Liquidez: um ponto a favor de ambos, com diferenças sutis

Tanto a poupança quanto o Tesouro Selic são considerados investimentos de alta liquidez, mas com uma diferença prática importante:

CDB: uma terceira opção a considerar

Além do Tesouro Selic, CDBs de bancos e financeiras são outra alternativa de renda fixa pós-fixada, geralmente remunerados como um percentual do CDI — por exemplo, "100% do CDI" ou "110% do CDI". CDBs que pagam mais de 100% do CDI podem superar o próprio Tesouro Selic em rentabilidade bruta, mas é importante verificar:

Quando a poupança ainda pode fazer sentido

Apesar da desvantagem de rentabilidade no cenário atual, a poupança ainda tem espaço em situações específicas: para reservas de emergência muito pequenas, onde a diferença de rendimento em termos absolutos é irrelevante; para quem prioriza a simplicidade extrema, sem qualquer cálculo de imposto envolvido; ou como reserva complementar de curtíssimo prazo, quando o valor pode precisar ser resgatado a qualquer momento antes de completar 30 dias, evitando o IOF regressivo que incide sobre Tesouro Selic e CDBs nesse período.

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Este artigo possui caráter educativo. Rentabilidades passadas não são garantia de resultados futuros.